Esporotricose em gatos: sintomas, transmissão e tratamento

 🐱 Esporotricose em gatos: sintomas, transmissão, tratamento e prevenção

Esporotricose em gatos: sintomas, transmissão, tratamento e prevenção

A esporotricose felina é uma doença infecciosa causada por fungos do gênero Sporothrix. Ela merece atenção especial porque pode provocar lesões importantes nos gatos e também apresenta potencial de transmissão para seres humanos, principalmente por meio de arranhaduras, mordidas e contato direto com lesões contaminadas. 

Dr. Roque Antônio de Almeida Júnior  Médico-Veterinário  CRMV-SP 23098

No Brasil, a esporotricose é particularmente relevante em gatos que têm acesso à rua e podem entrar em contato com outros animais infectados.



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O que é a esporotricose felina?

A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix. O agente pode estar presente no ambiente, mas os gatos possuem um papel importante na transmissão da doença, especialmente quando há contato entre animais infectados.

A infecção pode ocorrer quando o fungo entra no organismo através de ferimentos na pele.

Em gatos, a doença pode apresentar evolução localizada ou disseminada, dependendo do estado imunológico do animal e da extensão da infecção.

Como o gato pode pegar esporotricose?

Gatos que têm acesso à rua apresentam maior risco de exposição.

A transmissão entre gatos pode ocorrer principalmente durante:

  • brigas;

  • mordidas;

  • arranhaduras;

  • contato com secreções e lesões de animais infectados;

  • contato com ambientes ou materiais contaminados.

Machos não castrados com acesso à rua podem apresentar maior risco devido ao comportamento territorial e às brigas com outros gatos.

Quais são os sintomas da esporotricose em gatos?

Um dos principais sinais da doença são as lesões de pele que não cicatrizam ou apresentam evolução persistente.

Podem aparecer:

  • feridas e úlceras na pele;

  • nódulos;

  • crostas;

  • áreas de queda de pelos;

  • secreção nas lesões;

  • lesões no nariz e na face;

  • aumento de volume em determinadas regiões;

  • feridas que aumentam progressivamente;

  • lesões em diferentes partes do corpo.

As lesões podem ser encontradas principalmente na cabeça, face, patas e cauda, embora possam aparecer em outras regiões.

Em casos mais avançados, o animal pode apresentar comprometimento de mucosas, especialmente da região nasal e respiratória.

Esporotricose pode afetar o nariz do gato?

Sim.

A região nasal pode ser bastante comprometida, principalmente em casos com evolução mais grave. O gato pode apresentar feridas, crostas, secreção nasal e alterações respiratórias.

Por isso, um gato com ferida persistente no nariz, focinho ou face deve ser avaliado por um médico-veterinário.

Toda ferida em gato é esporotricose?

Não.

Essa é uma informação muito importante.

Diversas doenças podem provocar feridas em gatos, incluindo infecções bacterianas, outras micoses, traumas, abscessos decorrentes de mordidas, doenças parasitárias, processos alérgicos e outras enfermidades.

Por isso, não é correto diagnosticar esporotricose apenas observando uma fotografia ou uma ferida.

O diagnóstico deve ser realizado pelo médico-veterinário, que poderá indicar exames complementares para confirmar a causa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico pode envolver a avaliação clínica associada a exames laboratoriais.

Dependendo do caso, o médico-veterinário pode solicitar exames para identificação do agente causador, como exames citológicos, cultura fúngica e outros métodos diagnósticos disponíveis.

A escolha do exame depende das características das lesões e das condições clínicas do animal.

Esporotricose em gatos tem tratamento?

Sim. A esporotricose felina pode ser tratada, mas o tratamento deve ser acompanhado por um médico-veterinário.

O tratamento geralmente envolve medicamentos antifúngicos, e a duração pode ser prolongada. A resposta varia de acordo com a extensão da doença, o estado geral do animal e a forma clínica apresentada.

Um dos pontos mais importantes é que o tratamento não deve ser interrompido por conta própria apenas porque as feridas aparentam estar melhores.

A interrupção inadequada pode favorecer a persistência ou a recidiva da infecção.

Posso tratar meu gato em casa?

O tutor deve evitar iniciar medicamentos por conta própria.

Antifúngicos podem apresentar efeitos adversos e precisam ser utilizados de acordo com a avaliação do médico-veterinário, levando em consideração peso, idade, condição clínica, possíveis doenças concomitantes e outros medicamentos utilizados pelo animal.

O acompanhamento veterinário também permite avaliar a evolução das lesões e a necessidade de ajustes no tratamento.

Esporotricose de gato passa para pessoas?

Sim.

A esporotricose felina é uma importante zoonose.

A transmissão para pessoas pode ocorrer principalmente por meio de arranhaduras, mordidas ou contato direto com lesões e secreções de gatos infectados.

Por isso, um gato com suspeita ou diagnóstico de esporotricose deve ser manipulado com muito cuidado.

Como proteger a família?

Quando existe suspeita de esporotricose, algumas medidas são importantes:

  • evitar brincadeiras que possam provocar arranhaduras ou mordidas;

  • não manipular diretamente as feridas;

  • evitar contato com secreções e lesões;

  • utilizar luvas e medidas de proteção recomendadas pelo médico-veterinário durante os cuidados;

  • manter o animal em ambiente seguro e controlado;

  • impedir o acesso à rua;

  • separar o animal de outros gatos quando recomendado;

  • higienizar adequadamente o ambiente e os materiais utilizados pelo animal;

  • procurar orientação veterinária o quanto antes.

Se uma pessoa sofrer mordida ou arranhadura de um gato com suspeita de esporotricose, é importante buscar orientação médica.

O gato precisa ser sacrificado?

Não.

A existência de esporotricose não significa que o gato necessariamente precise ser submetido à eutanásia.

A doença possui tratamento e muitos animais podem apresentar evolução favorável quando recebem diagnóstico e acompanhamento adequados.

O abandono, além de colocar o próprio animal em risco, pode contribuir para a disseminação da doença.

Como prevenir a esporotricose?

A prevenção começa principalmente pela redução da exposição dos gatos a situações de risco.

Algumas medidas importantes incluem:

1. Evitar que o gato tenha acesso à rua

Gatos que permanecem dentro de casa ficam menos expostos a brigas e ao contato com animais desconhecidos.

2. Castrar

A castração pode ajudar a reduzir comportamentos relacionados à reprodução e disputas territoriais, diminuindo situações que favorecem mordidas e arranhaduras.

3. Procurar atendimento diante de feridas persistentes

Feridas que não cicatrizam, principalmente quando acompanhadas de nódulos, secreção ou lesões no nariz e na face, precisam de avaliação veterinária.

4. Não abandonar animais doentes

O abandono de gatos infectados aumenta o risco de disseminação da doença para outros animais e para pessoas.

5. Seguir corretamente o tratamento

Quando a doença é diagnosticada, o tratamento deve ser realizado pelo período e da maneira determinados pelo médico-veterinário.

O que fazer se houver vários gatos na mesma casa?

Quando existe um gato com suspeita ou diagnóstico de esporotricose, é importante informar o médico-veterinário sobre a presença de outros animais.

Dependendo da situação, pode ser necessário estabelecer medidas de separação, higiene e monitoramento dos demais gatos.

Não é recomendável tomar decisões por conta própria sem avaliação profissional.

Quando procurar um médico-veterinário?

Procure atendimento veterinário principalmente quando o gato apresentar:

  • feridas que não cicatrizam;

  • nódulos ou úlceras;

  • lesões no nariz ou na face;

  • secreção nas feridas;

  • lesões recorrentes;

  • ferimentos após brigas;

  • múltiplas lesões pelo corpo;

  • alterações respiratórias associadas a lesões faciais.

Quanto mais cedo a doença for investigada, maiores são as possibilidades de estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.

Conclusão

A esporotricose felina é uma doença que exige atenção tanto pela saúde do gato quanto pelo seu potencial zoonótico.

Uma ferida persistente em um gato não deve ser ignorada. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a adoção de medidas de prevenção são fundamentais para controlar a doença e reduzir o risco de transmissão.

Se o seu gato apresenta feridas que não cicatrizam, principalmente no rosto, nariz, patas ou cauda, procure um médico-veterinário e não tente tratar o animal por conta própria.


Autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior
Médico Veterinário – CRMV23098
Especialista em clínica e manejo de equinos

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Corpo estranho gástrico em cães idosos: entenda o caso do Beethoven

Corpo estranho gástrico em cães idosos: entenda o caso do Beethoven

Casos de ingestão de corpo estranho são relativamente comuns na rotina veterinária, mas podem se tornar ainda mais delicados quando envolvem pacientes geriátricos. Neste artigo, vamos explicar de forma simples e didática o caso clínico de Beethoven, um cão de 18 anos, que apresentou um quadro grave após ingerir um objeto.





🐾 O que aconteceu com o Beethoven?

Beethoven, um cão sem raça definida (SRD) de 18 anos, foi levado ao atendimento veterinário com dor abdominal intensa. Ele já havia sido avaliado anteriormente, quando um exame de radiografia revelou a presença de um corpo estranho no estômago.

No retorno, o quadro havia evoluído, exigindo uma abordagem mais cuidadosa e imediata.


⚠️ Quais eram os sinais clínicos?

O paciente apresentava sintomas importantes, que chamam atenção para casos mais graves:

  • Dor abdominal intensa

  • Falta de apetite (hiporexia/anorexia)

  • Desidratação significativa

  • Sinais de gastrite

  • Prostração

Durante o exame físico, também foi observada rigidez abdominal e dor acentuada à palpação, indicando sofrimento significativo.


🔍 Como foi feito o diagnóstico?

O diagnóstico foi baseado em exames de imagem:

  • Radiografia abdominal: já havia identificado o corpo estranho

  • Ultrassonografia abdominal: confirmou a presença do objeto no estômago e avaliou o funcionamento intestinal

Um ponto positivo foi que o peristaltismo intestinal ainda estava preservado, o que indicava que não havia obstrução intestinal completa naquele momento.


💉 Qual foi o tratamento indicado?

Devido à gravidade do quadro, principalmente por se tratar de um paciente idoso, foi necessária internação imediata.

O tratamento incluiu:

  • Fluidoterapia (soro) para corrigir a desidratação

  • Medicação para dor (analgesia)

  • Monitoramento clínico contínuo

  • Preparação para endoscopia

A endoscopia digestiva foi indicada como procedimento principal, pois permite visualizar e remover o corpo estranho de forma menos invasiva que uma cirurgia.


🏥 Por que a internação foi necessária?

A internação foi fundamental por vários fatores:

  • Idade avançada (paciente geriátrico)

  • Estado de desidratação importante

  • Dor intensa

  • Necessidade de procedimento especializado

Pacientes idosos têm menor capacidade de compensação, o que torna o acompanhamento intensivo ainda mais importante.


🧠 O que podemos aprender com esse caso?

Esse caso reforça alguns pontos essenciais para tutores:

✔ Cães podem ingerir objetos mesmo em idade avançada
✔ Sintomas como dor abdominal e falta de apetite nunca devem ser ignorados
✔ O diagnóstico precoce faz toda a diferença
✔ Métodos minimamente invasivos, como a endoscopia, podem evitar cirurgias


❤️ Conclusão

O caso do Beethoven mostra como situações aparentemente comuns podem se tornar graves rapidamente, principalmente em animais idosos. A atenção aos sinais clínicos e a busca rápida por atendimento veterinário foram fundamentais para a condução adequada do caso.

Se o seu pet apresentar sintomas como dor abdominal, vômitos ou falta de apetite, procure um médico veterinário o quanto antes.

A saúde deles depende diretamente da rapidez com que agimos.


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Autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior
Médico Veterinário – CRMV23098
Especialista em clínica e manejo de equinos

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Síndrome Metabólica Equina (SME): Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo Clínico Atualizado



Síndrome Metabólica Equina (SME): Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo Clínico Atualizado

Autor: Dr. Roque Antonio de Almeida Junior – Médico Veterinário CRMV23098


Resumo (Abstract)

A Síndrome Metabólica Equina (SME) é uma desordem endócrino-metabólica de grande relevância na medicina veterinária equina contemporânea, caracterizada principalmente por resistência à insulina, obesidade regionalizada e predisposição à laminite. Este artigo revisa os principais aspectos fisiopatológicos, fatores de risco, métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas atuais, com foco na medicina baseada em evidências e no manejo nutricional e ambiental do paciente equino.

Palavras-chave: Síndrome Metabólica Equina, resistência à insulina, laminite, obesidade equina, endocrinologia equina, cavalo.




1. Introdução

A Síndrome Metabólica Equina (SME) tem se consolidado como uma das principais causas de laminite não infecciosa em equinos domésticos, especialmente em animais mantidos em sistemas de manejo intensivo ou com oferta alimentar inadequada.

A condição é comparável, em diversos aspectos fisiopatológicos, à síndrome metabólica em humanos, embora apresente particularidades específicas da espécie equina. Sua importância clínica reside na alta prevalência e no impacto direto sobre o bem-estar, desempenho atlético e longevidade dos animais acometidos.


2. Fisiopatologia da Síndrome Metabólica Equina

A SME é primariamente caracterizada por resistência à insulina (RI), condição na qual os tecidos periféricos apresentam resposta reduzida à ação da insulina, levando à hiperinsulinemia compensatória.

Principais mecanismos fisiopatológicos:

  • Disfunção da sinalização insulínica nos tecidos musculares e adiposos

  • Acúmulo de gordura visceral e regional (crista do pescoço, base da cauda)

  • Alterações no metabolismo da glicose

  • Disfunção endotelial e comprometimento vascular digital

  • Predisposição ao desenvolvimento de laminite endocrinopática

Estudos recentes indicam que níveis persistentemente elevados de insulina podem atuar diretamente no casco, promovendo alterações estruturais no tecido laminar.


3. Fatores de Risco

Os principais fatores associados ao desenvolvimento da SME incluem:

  • Genética predisponente (raças como Pôneis, Paso Fino, Morgan e Crioulos)

  • Dieta rica em carboidratos não estruturais (NSC)

  • Sedentarismo e baixa atividade física

  • Obesidade ou sobrepeso crônico

  • Idade média a avançada (embora possa ocorrer em animais jovens predispostos)

  • Manejo nutricional inadequado


4. Sinais Clínicos

Os sinais clínicos da Síndrome Metabólica Equina podem variar em intensidade, incluindo:

  • Obesidade generalizada ou regionalizada

  • Depósitos adiposos aumentados na crina, garupa e base da cauda

  • Episódios recorrentes de laminite

  • Relutância ao exercício

  • Sudorese excessiva em exercícios leves

  • Alterações de comportamento associadas à dor podal


5. Diagnóstico

O diagnóstico da SME é baseado na associação entre histórico clínico, exame físico e testes laboratoriais.

Principais métodos diagnósticos:

  • Dosagem de insulina basal

  • Teste dinâmico de tolerância à glicose

  • Avaliação de leptina plasmática

  • Teste combinado de glicose e insulina

  • Avaliação da condição corporal (Body Condition Score – BCS)

  • Circunferência cervical como marcador de adiposidade regional

É fundamental diferenciar SME de outras endocrinopatias, como a Disfunção da Pars Intermedia da Pituitária (PPID).


6. Relação entre SME e Laminite

A laminite endocrinopática associada à SME é uma das complicações mais graves da doença. A hiperinsulinemia prolongada pode desencadear alterações no tecido laminar do casco, resultando em dor intensa e possível rotação da falange distal.

Este processo não está necessariamente associado à inflamação clássica, mas sim a uma disfunção metabólica vascular e estrutural.


7. Tratamento e Manejo Clínico

O tratamento da SME é multifatorial e baseado principalmente em manejo nutricional e ambiental.

7.1 Controle nutricional

  • Redução de carboidratos não estruturais (NSC < 10–12%)

  • Uso de volumosos de baixo teor energético

  • Restrição calórica controlada

  • Evitar acesso a pastagens ricas em frutanos

7.2 Exercício físico

  • Atividade física progressiva e controlada

  • Programas de recondicionamento metabólico

  • Exercícios aeróbicos leves a moderados

7.3 Terapia farmacológica (casos selecionados)

  • Metformina (em casos de resistência severa à insulina)

  • Levotiroxina (em protocolos específicos de perda de peso)

  • Anti-inflamatórios em casos de laminite associada

7.4 Manejo ambiental

  • Restrição de acesso a pasto em horários críticos

  • Uso de redes slow feeder

  • Monitoramento contínuo do escore corporal


8. Prognóstico

O prognóstico da Síndrome Metabólica Equina depende diretamente da precocidade do diagnóstico e da adesão ao manejo recomendado. Animais bem controlados podem apresentar excelente qualidade de vida, enquanto casos negligenciados evoluem frequentemente para laminite crônica e incapacitante.


9. Prevenção

A prevenção da SME baseia-se em:

  • Manejo nutricional adequado desde idades precoces

  • Monitoramento regular do escore corporal

  • Exercício físico contínuo

  • Controle rigoroso de dietas ricas em carboidratos

  • Avaliações veterinárias periódicas


10. Considerações Finais

A Síndrome Metabólica Equina representa um desafio crescente na medicina veterinária moderna, exigindo abordagem multidisciplinar e foco em medicina preventiva. O entendimento aprofundado de sua fisiopatologia é essencial para reduzir a incidência de complicações graves, como a laminite endocrinopática.


Síndrome Metabólica Equina (SME): Atualizações Científicas, Biomarcadores e Estratégias Avançadas de Controle Metabólico


Autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior
Médico Veterinário – CRMV23098
Especialista em clínica e manejo de equinos

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Doença Renal Crônica em Cães e Gatos e SDMA veterinária


Doença Renal Crônica em Cães e Gatos: Diagnóstico Precoce, Sintomas e Tratamento

Palavra-chave principal: doença renal crônica em cães e gatos
Palavras-chave secundárias: insuficiência renal em pets, sintomas doença renal em cães, doença renal em gatos tratamento, creatinina e SDMA veterinária

Autor: Dr. Roque Antonio de Almeida Junior  CRMV 23098 – Médico Veterinário




Introdução

A doença renal crônica em cães e gatos é uma das condições mais comuns na clínica veterinária, especialmente em animais idosos. Trata-se de uma enfermidade progressiva e silenciosa, caracterizada pela perda irreversível da função renal ao longo do tempo.

Estudos indicam que muitos tutores só percebem sinais clínicos quando mais de 70% da função renal já está comprometida, o que torna o diagnóstico precoce fundamental para aumentar a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes.


Fisiopatologia da Doença Renal Crônica

A insuficiência renal crônica ocorre quando há redução progressiva da taxa de filtração glomerular (TFG), levando ao acúmulo de toxinas urêmicas no organismo.

Entre os principais mecanismos envolvidos, destacam-se:

  • Perda de néfrons funcionais

  • Hipertensão glomerular compensatória

  • Inflamação crônica renal

  • Fibrose intersticial progressiva

Esses processos resultam em alterações sistêmicas importantes, incluindo desequilíbrios eletrolíticos, anemia e acidose metabólica.


Principais Sintomas da Doença Renal em Pets

Os sinais clínicos são frequentemente sutis no início, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Sintomas mais comuns:

  • Aumento da ingestão de água (polidipsia)

  • Aumento da frequência urinária (poliúria)

  • Perda de peso progressiva

  • Apatia e letargia

  • Vômitos e anorexia

  • Halitose urêmica

Nos estágios mais avançados, podem ocorrer úlceras orais, desidratação severa e comprometimento neurológico.


Diagnóstico: O Papel dos Exames Laboratoriais

O diagnóstico da insuficiência renal em pets baseia-se na combinação de exames clínicos e laboratoriais.

Principais exames:

  • Creatinina sérica

  • Ureia

  • SDMA (Dimetilarginina Simétrica)

  • Urinálise completa

  • Relação proteína/creatinina urinária

O marcador SDMA tem ganhado destaque por permitir a detecção precoce da doença, antes mesmo da elevação da creatinina.


Estadiamento da Doença Renal Crônica

A classificação da doença segue as diretrizes da IRIS (International Renal Interest Society), dividindo a condição em estágios de 1 a 4.

  • Estágio 1: alterações iniciais, sem sintomas evidentes

  • Estágio 2: leve comprometimento renal

  • Estágio 3: sinais clínicos moderados

  • Estágio 4: insuficiência renal grave

O estadiamento é essencial para definir o protocolo terapêutico.


Tratamento da Doença Renal em Cães e Gatos

Embora não exista cura, o tratamento visa retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.

Abordagens terapêuticas:

  • Dieta renal específica (controle de fósforo e proteína)

  • Fluidoterapia (quando necessário)

  • Controle da hipertensão

  • Uso de quelantes de fósforo

  • Terapia antiemética e suporte nutricional

O manejo deve ser individualizado, considerando o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.


Importância da Medicina Preventiva

A detecção precoce é o principal fator que influencia o prognóstico.

Recomenda-se:

  • Check-ups anuais em animais adultos

  • Check-ups semestrais em animais idosos

  • Monitoramento laboratorial regular

A medicina preventiva é a melhor estratégia para reduzir a progressão da doença renal crônica.


Conclusão

A doença renal crônica em cães e gatos é uma condição séria, progressiva e muitas vezes silenciosa. O diagnóstico precoce, aliado ao manejo adequado, pode aumentar significativamente a expectativa e qualidade de vida dos animais.

A conscientização dos tutores e a atuação preventiva do médico veterinário são fundamentais para o controle dessa enfermidade.


Autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior
CRMV 23098 – Médico Veterinário

Médico veterinário com experiência em clínica de pequenos animais, com atuação também no manejo de animais silvestres e exóticos, com ênfase em saúde gastrointestinal e medicina preventiva.

📍 Atuação em Mogi das Cruzes e região

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Desvio Portossistêmico em Cães e Gatos

 

Desvio Portossistêmico em Cães e Gatos: Revisão Clínica, Diagnóstica e Terapêutica
                                                

Autor: Dr. Roque Antonio de Almeida Junior – Médico Veterinário CRMV 23098


Resumo

O desvio portossistêmico (DPS) é uma anomalia vascular caracterizada pela comunicação anômala entre o sistema porta e a circulação sistêmica, resultando na redução do fluxo sanguíneo hepático e consequente comprometimento da função hepática. A condição pode ser classificada como congênita ou adquirida, sendo mais frequentemente diagnosticada em cães de raças pequenas. Os sinais clínicos são predominantemente neurológicos e gastrointestinais, decorrentes da encefalopatia hepática. O diagnóstico envolve exames laboratoriais e métodos de imagem avançados, enquanto o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da apresentação do caso. Este artigo revisa os principais aspectos fisiopatológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos do DPS em pequenos animais.

Palavras-chave: desvio portossistêmico, shunt hepático, encefalopatia hepática, cães, gatos, hepatologia veterinária

  
                                             




1. Introdução

O desvio portossistêmico (DPS), também denominado shunt portossistêmico, representa uma importante afecção hepatovascular em cães e gatos. Trata-se de uma condição na qual o sangue portal, rico em nutrientes e substâncias potencialmente tóxicas, desvia-se do fígado por meio de uma conexão vascular anômala, impedindo a adequada metabolização hepática.

A relevância clínica do DPS está associada ao desenvolvimento de encefalopatia hepática (EH), além de alterações metabólicas e nutricionais decorrentes da hipoperfusão hepática.


2. Fisiopatologia

Em condições normais, o sangue proveniente do trato gastrointestinal é conduzido ao fígado através da veia porta, onde ocorre:

  • Detoxificação de metabólitos nitrogenados

  • Metabolização de fármacos e toxinas

  • Síntese de proteínas plasmáticas

No DPS, o fluxo portal é parcial ou totalmente desviado para a circulação sistêmica, levando a:

  • Redução da perfusão hepática

  • Atrofia hepática

  • Acúmulo sistêmico de amônia e outras toxinas

A hiperamonemia desempenha papel central na fisiopatologia da encefalopatia hepática, promovendo alterações neurológicas por disfunção neurotransmissora e edema cerebral.


3. Classificação

3.1. Desvio portossistêmico congênito

  • Presente desde o nascimento

  • Geralmente único

  • Pode ser:

    • Extra-hepático (mais comum em cães de pequeno porte)

    • Intra-hepático (mais comum em raças de grande porte)

3.2. Desvio portossistêmico adquirido

  • Secundário à hipertensão portal

  • Geralmente múltiplo

  • Associado a hepatopatias crônicas


4. Epidemiologia

O DPS congênito é mais prevalente em cães do que em gatos. Entre as raças caninas predispostas, destacam-se:

  • Yorkshire Terrier

  • Maltês

  • Poodle

  • Shih Tzu

  • Schnauzer Miniatura

Em felinos, a ocorrência é menos frequente e não há predisposição racial tão bem definida.


5. Manifestações clínicas

Os sinais clínicos estão diretamente relacionados à encefalopatia hepática e à incapacidade do fígado de metabolizar compostos tóxicos.

5.1. Sinais neurológicos

  • Letargia

  • Ataxia

  • Desorientação

  • Convulsões

  • Head pressing

  • Alterações comportamentais

5.2. Sinais gastrointestinais

  • Vômitos

  • Diarreia

  • Hiporexia ou anorexia

5.3. Outros achados clínicos

  • Retardo no crescimento

  • Urolitíase (especialmente uratos)

  • Poliuria e polidipsia

É comum a exacerbação dos sinais após ingestão alimentar, especialmente dietas ricas em proteína.


6. Diagnóstico

O diagnóstico do DPS baseia-se na associação entre achados clínicos, laboratoriais e de imagem.

6.1. Exames laboratoriais

  • Elevação de ácidos biliares séricos

  • Hiperamonemia

  • Hipoalbuminemia

  • Hipoglicemia (em alguns casos)

  • Redução de ureia

6.2. Diagnóstico por imagem

  • Ultrassonografia abdominal com Doppler

  • Tomografia computadorizada angiográfica (padrão ouro)

  • Cintilografia portal

A identificação do vaso anômalo é fundamental para o planejamento terapêutico, especialmente cirúrgico.


7. Tratamento

7.1. Tratamento clínico

Indicado como terapia paliativa ou estabilização pré-cirúrgica:

  • Dieta com proteína de alta digestibilidade e teor controlado

  • Lactulose (redução da absorção de amônia)

  • Antibióticos (ex.: metronidazol) para modulação da microbiota intestinal

7.2. Tratamento cirúrgico

Considerado o tratamento de escolha para DPS congênito:

  • Oclusão gradual do vaso anômalo (ex.: ameroide constrictor, ligadura parcial)

  • Redução progressiva do fluxo anômalo para evitar hipertensão portal aguda

A escolha da técnica depende da localização e do tipo do desvio.


8. Prognóstico

O prognóstico varia conforme:

  • Tipo de desvio

  • Idade do paciente

  • Presença de complicações

Em casos cirúrgicos bem-sucedidos, observa-se melhora significativa ou resolução dos sinais clínicos. Já o manejo exclusivamente clínico apresenta prognóstico reservado a longo prazo.


9. Considerações finais

O desvio portossistêmico é uma condição de grande relevância na clínica de pequenos animais, exigindo abordagem diagnóstica criteriosa e manejo terapêutico individualizado. O avanço das técnicas de imagem e das abordagens cirúrgicas tem contribuído significativamente para a melhora do prognóstico desses pacientes.

O diagnóstico precoce permanece como fator determinante para o sucesso terapêutico e qualidade de vida dos animais acometidos.


Sobre o autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior – Médico Veterinário CRMV 23098

Médico veterinário com experiência em clínica de pequenos animais, com atuação também no manejo de animais silvestres e exóticos, com ênfase em saúde gastrointestinal e medicina preventiva.

📍 Atuação em Mogi das Cruzes e região

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🧪 Diarreia Crônica em Cães

 

🧪 Diarreia Crônica em Cães: Etiologia, Diagnóstico e Tratamento na Medicina Veterinária

Resumo

A diarreia crônica em cães é uma condição frequente na prática clínica veterinária, caracterizada por fezes amolecidas ou líquidas com duração superior a três semanas. Suas causas são multifatoriais, incluindo doenças infecciosas, inflamatórias, parasitárias e distúrbios nutricionais. Este artigo revisa os principais aspectos etiológicos, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas, contribuindo para a prática baseada em evidências.





🔎 Introdução

A diarreia crônica em cães representa um desafio diagnóstico devido à sua ampla variedade de causas. Ao contrário da forma aguda, que tende a ser autolimitante, a forma crônica exige investigação aprofundada e abordagem sistemática.

Além disso, pode impactar significativamente a qualidade de vida do animal e estar associada a doenças sistêmicas.



📊 Classificação Clínica da Diarreia Crônica em Cães

Diarreia de Intestino Delgado

  • Aumento do volume fecal

  • Perda de peso

  • Possível esteatorreia

  • Frequência normal ou discretamente aumentada

Diarreia de Intestino Grosso

  • Pequeno volume fecal

  • Aumento da frequência

  • Presença de muco ou sangue

  • Tenesmo



🦠 Principais Causas da Diarreia Crônica em Cães

Causas Infecciosas

  • Clostridium spp.

  • Salmonella spp.

  • Vírus entéricos

Causas Parasitárias

  • Helmintos intestinais

  • Protozoários como Giardia spp.

Doenças Inflamatórias

  • Enteropatias crônicas

  • Doença inflamatória intestinal

Distúrbios Alimentares

  • Intolerâncias alimentares

  • Alergias

  • Dietas inadequadas

Outras Etiologias

  • Insuficiência pancreática exócrina

  • Neoplasias intestinais

  • Disbiose intestinal



🧪 Diagnóstico da Diarreia Crônica em Cães

O diagnóstico deve ser conduzido de forma sistemática:

Anamnese

  • Duração dos sintomas

  • Tipo de dieta

  • Histórico sanitário

Exames Laboratoriais

  • Hemograma completo

  • Bioquímica sérica

  • Exame coproparasitológico

Exames Complementares

  • Ultrassonografia abdominal

  • Endoscopia com biópsia

  • Testes específicos (ex: TLI)



💊 Tratamento da Diarreia Crônica em Cães

A abordagem terapêutica depende da causa subjacente:

Terapia Nutricional

  • Dietas hipoalergênicas

  • Proteína hidrolisada

  • Alta digestibilidade

Terapia Medicamentosa

  • Antibióticos (quando indicados)

  • Antiparasitários

  • Anti-inflamatórios intestinais

  • Probióticos

Suporte Clínico

  • Fluidoterapia

  • Correção de distúrbios eletrolíticos



📈 Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia. Condições parasitárias e alimentares apresentam boa resposta terapêutica, enquanto doenças inflamatórias crônicas e neoplasias podem exigir manejo contínuo.



✅ Considerações Finais

A diarreia crônica em cães exige abordagem clínica criteriosa e individualizada. O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar o prognóstico e garantir qualidade de vida ao paciente.



                            Dr. Roque Antonio de Almeida Junior – Médico Veterinário


👨‍⚕️ Sobre o autor

Dr. Roque Antonio de Almeida Junior é médico veterinário com experiência em clínica de pequenos animais, além de atuação no manejo e atendimento de animais silvestres e exóticos, com foco em saúde gastrointestinal e medicina preventiva.

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